este é o meu bloco de notas numa aventura asiática

quinta-feira, maio 05, 2005

da relatividade da distância

Quando vim para o Japão pensava que estando “na fonte” ia ser uma loucura de cultura japonesa. Podia fazer cursos de aikidô, origami, cerimónia do chá, you name it. Ia poder ver imensos filmes japoneses. Isto é que ia ser!
Mas desde que o avião aterrou no Aeroporto de Narita, eu voei para a Lua e estou mais longe do Japão do que pensava. Aqui em Tokyo.
Aqui onde não consigo ler os títulos dos filmes. Aqui onde não há legendas. Aqui onde não sei ler os nomes dos pratos. Aqui onde não consigo ler o jornal. Aqui onde não consigo navegar na net japonesa. Aqui onde simplesmente não entendo o que me dizem.
Aqui sinto-me a deslizar por uma cultura sem conseguir tocá-la. Aqui só posso observar e tirar as minha conclusões mas é difícil entender sem contexto. Aqui aprendi a olhar e aceitar, mas não a entender. É difícil esquecer os meus preconceitos.
Talvez por isso leia tudo o que me cai nas mãos sobre cultura japonesa mas é maioritariamente escrito por estrangeiros. Dá-me um contexto, mas vejo pelos olhos dos outros, pelos preconceitos dos outros.
Hoje e sempre lost in translation.

6 Comments:

Blogger Humor Negro said...

Impõe-se um curso intensivo de japonês antes que a coisa resvale para a loucura intraduzível. Um Abraço.

11:00 da tarde

 
Anonymous ru said...

LOL
Isso já parece o dilema de Zenão que quanto mais caminhava para o seu objectivo, mais distante lhe parecia estar!
Ou isso ou o Alice no País das Maravilhas!
O que é tranquilizante é que ambas as histórias têm final feliz!

12:29 da manhã

 
Blogger Angela said...

: ) Mesmo perdida, huh? Daqui a pouco pode ser que, quando dês conta, estejas mais inserida do que pensavas.

10:46 da manhã

 
Blogger Sam said...

Sempre pensei que seria assim. Confirma-se, então.

2:00 da tarde

 
Anonymous ru said...

Em consciência, esse é o verdadeiro mecanismo da experiência do indivíduo com o mundo. Por muito que comuniquemos, a experiência é sempre intraduzível!
Aquilo que cada um sente em cada instante, pelos seu sistema nervoso individual, não partilhado, jamais será sentido por outros!

Talvez um dia, quando se tornar possível o corpo biónico (fusão homem-máquina)se possam partilhar sistemas nervosos e, consequentemente, experiências entre indivíduos como o conseguem alguns irmãos siameses.

Até lá, hoje e sempre, lost in translation!

6:15 da tarde

 
Anonymous ru said...

Estive a ver o que fazem estes Arquitectos Japoneses:

http://www.akirasakamoto.com/
http://www.paramodern.com/
http://www.suppose.jp/english/index.html

Já visitaste algum dos seus edifícios, sushi lover?
Algumas coisas parecem ser interessantes!
Please translate?

4:00 da manhã

 

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