este é o meu bloco de notas numa aventura asiática

quinta-feira, novembro 25, 2004

lost in translation

Ontem, sem realmente me perguntarem o meu grupo decidiu que devíamos fazer uma directa para a apresentação de hoje. Bacano...
Não há coisa que mais deteste que fazer directas, principalmente quando não é essencial. Como já era tarde já só se falava japonês e eu já não tinha energia para me queixar... Às 2.30 da manhã, já tínhamos passado praí 15 mn sem dizer nada e eu olhava para eles tentando decifrar o que lhes ia no espírito... Em vão.
Dei voltas pela sala a visitar os outros grupos, enquanto pensava quão bem estaria eu debaixo do meu edredon... Voltei ao meu grupo e decidi tentar perceber o que se passa, porque é que estamos embasbacados a olhar para as folhas que eu achava já serem as finais... Finalmente um anjo vem em meu auxílio, Praful, o indiano que fala japonês e inglês olhando para a minha expressão desanimada decide fazer de tradutor...
O que se seguiu foi um momento completamente “Lost in Translation”, meia hora patatipatata em japonês para o rapaz me dizer “bem, eles acham que a abordagem está demasiado focada na análise espacial e pouco nas pessoas, nos utentes...” Uma frase!
Incrédula perguntei “Are you sure that’s all they said? Because it seem a lot more!” e senti-me como a personagem do Bill Murray no filme…
Mais inacreditável foi que fosse aquele o problema porque era algo que já tinha sido falado 10 vezes. Mais motivada por ter entendido o mistério das caras sisudas incuti a energia suficiente para acabarmos aquilo em 10 mn. Tratava-se duma simples reorganização de conceitos e ainda agora não entendo porque demorámos tanto tempo...